sábado, 4 de janeiro de 2014

Sobre o calor e Supernatural

E aí, pessoal?

Está tão quente que eu mal consigo mandar um "bom dia" decente!

Acho que estou começando a acreditar naquele velho papo de fim do mundo indiretamente, porque com essa temperatura chegando a 32° com uma maldita sensação térmica de 50°... Darwinismo é a definição mais precisa dos próximos dias e de quem vai ser capaz de continuar com o corpo sólido. 

Vou deixar anotado para as próximas gerações: esse é o verão mais quente até então. Não nasçam. Não há nada de produtivo aqui no momento. Só há suor, motoristas kamikases de vãs e livros custando mais de 40 reais, o que parece bem próximo da minha definição de inferno.


Uma visão mais precisa do que seria o inferno para mim.

Esses dias eu tenho gostado bastante de ficar no meu quarto, de cara pro gol com um ventilador. Nesse meio tempo, fico assistindo Supernatural. É uma das minhas séries favoritas, daquelas que eu comprei todas as temporadas e assisto repetidamente.

É também uma série muito conhecida, então não acho que eu precise apontar todas as coisas ótimas dela. É estrelada pelos lindos e deliciosos Jared Padalecki e Jensen Ackles que vivem Sam e Dean Winchester (respectivamente). O elenco conta também com meus queridinhos Jim Beaver (Bobby Singer), Misha Collins (Castiel) e Mark Sheppard (Crowley). Spoiler: até as mulheres do elenco são lindas! (Muitos corações na Rachel Miner, que interpreta o demônio Meg a partir da quinta temporada).

Linha de cima começando pela loirinha: Jo; Meg (nas primeiras temporadas) e Meg em outro corpo.
Linha do meio: Ruby (nas primeiras temporadas); Ruby (nas outras temporadas) e Ellen (mãe da Jo).
Linha de baixo: Bella (vigarista), Crowley (<3) e Bobby.


Mas acho que o que eu mais gosto na série (e olha que é difícil de definir o que é melhor quando tudo é ótimo) é a trilha sonora. Eles usam as músicas certas e nos momentos certos e a maioria ou é bastante conhecida ou é tão deliciosa que você corre para procurar. Como dizia meu antigo professor de Geografia: Eu me sinto tarada por isso!

Separei algumas músicas que tocam ao longo da trilha sonora (bem conhecidas) apenas para ilustrar o quanto os produtores de Supernatural são fabulosos.

(PS: Eles têm o irritante dom de me fazer chorar no último episódio de cada temporada. Isso porque o episódio inicia com “THE ROAD SO FAR” lotando a tela e faz uma rápida recapitulação do que aconteceu com os irmãos Winchester até então. Sou uma pessoa que se emociona fácil com fotos ou vídeos passando com uma música de fundo. Qual é, eu acho que assisti ao meu vídeo dos quinze anos umas sete vezes depois da festa e fiquei com lágrimas másculas querendo cair. Como seria diferente com Supernatural?) 

É só dar play e curtir. 







Além do mais, quem tiver os DVDs e puder dar uma espiada nas Informações Especiais dos discos, vai encontrar os Erros de Gravação. Essa também é uma das minhas partes favoritas! O elenco é todo engraçado e palhaço. Jared e Jensen então, às vezes parece que tem 17 anos. Lembro de quando, há um bom tempo atrás, saiu no Youtube um vídeo do Jensen fazendo a performance de Eye Of The Tiger, do Survivor no set de gravação da série. O cara é perfeito, sério.

Eu não consigo ficar séria vendo isso.




Eu prometo, para esse ano, terminar de ver a bendita série. E não devo começar outra porque por mais que eu goste, não tenho saco de acompanhar séries se não for com o DVD em mãos. Não há santo que me dê paciência para baixar episódio por episódio ou assistir online. Nessas horas, sinto falta de uma locadora aqui perto.

Quando acabar, eu posso tentar ler alguma coisa.

Ou lavar a louça daqui de casa.

Ou nada, porque com a sensação térmica de ter o Sol como vizinho, não dá vontade nem de levantar a bunda da cama.

Aos poucos que tiveram algum interesse na série sem tê-la visto ainda, sugiro que procurem no Séries com Legenda ou O Melhor da Telona ( http://www.omelhordatelona.biz/ ) para assistir. Eu juro: vale a pena. Vocês vão rir e chorar muito. Aos que já conhecem, podem me procurar pelo twitter (@veeveeane) caso queiram rir ou chorar comigo, aceito companhia.

Minha dica de ouro hoje é: bebam muita água, Ícaros.




Até a próxima!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Sobre a volta do blog!

Tem mais de um ano que eu não escrevo aqui! Assim até parece que eu abandonei o blog (que foi meio o que aconteceu). Ano passado foi o ano de vestibular, então eu acabei escrevendo miseravelmente pouco. Na verdade, nos posts de um ano e pouco atrás, eu comentei que não estava nada animada para o vestibular ou para sequer pisar na escola. E foi assim mesmo. O meu terceiro ano na escola acabou valendo mais por conta de sociais na casa de amigos/conhecidos, as festas e os passeios e algumas noites viradas nas vésperas de provas para decorar o máximo que conseguia.

(Shame on me.)

Por falar em provas, vestibular e coisas estressantes, tecnicamente, a nota do ENEM deve sair hoje. Todo mundo está surtando um pouco e estou seriamente tentando ocupar o meu tempo. Me recuso a entrar no modo Harvard da coisa. Só vai me fazer perder cabelo mais cedo.

Desde o outro ano, muitas coisas mudaram e minha intenção a partir desse post é ir aos poucos mostrando algumas dessas mudanças. Também vou tentar alterar um pouco minha forma (nada) organizada de lidar com o blog. Primeiramente, estarei de olho nos comentários. Qualquer assunto que quiserem eu posso usar, basta pedirem. Em segundo lugar, pensei bastante antes de voltar para cá e estava resolvendo o que faria com esse cantinho. A ideia de escrever sobre moda passou pela minha cabeça, mas como é bem óbvio, eu sou a última pessoa no mundo que entende algo sobre isso. Resenhar livros, filmes e opinar sobre músicas também parecia produtivo (até porque se tem uma coisa que eu posso me gabar na vida é da minha estante com 700 livros), mas alguma hora eu ia olhar para a palavra "livro" e ter um ataque. Odeio coisas repetitivas demais.

A decisão final foi: que tal deixar uma bagunça?


                                                             Por que eu não pensei nisso antes?

 Então não há tema para os assuntos que vão ser abordados por aqui. Vai rolar um pouco de tudo conforme for dando na telha. Vou fazer o possível para minha bagunça ficar o mais confortável o possível para todos os (pobres coitados) leitores do Liberdade. -Aos poucos eu volto a pegar o jeito, estou só esquentando.-

Por falar nessas coisas diferentes, peguei o espírito ousado de 2013 e transformei meu cabelo com tinta rosa. Ultimamente ando sentindo bastante falta do meu cabelo como era antes (e a graça desse rosa vai acabar rapidinho), mas posso dizer que foi bom o quanto durou. Vou deixar explicações melhores do processo de pintar para outro post mais específico.


 Antes e depois.




De qualquer forma, esse post era mais para dar um "Oi" educado antes de sair arrombando o blog de vez. Para mais notícias fiquem comigo por aqui, vai ser divertido (eu acho).


domingo, 27 de janeiro de 2013

Buraco

Eu estou preparado.
Acordo com a sensação de "É, é isso, cara". As cortinas estão cerradas, o aposento é escuridão, penumbra. É a Guerra. Eu sei que é a Guerra. Estou travando-a, estou bem no meio do combate e preciso entender que toda essa escuridão... é um efeito colateral da Guerra.
Sei que estou sussurrando isso repetidamente. Não posso esquecer de levantar e lutar, pois é hoje.
É hoje, é hoje, é hoje.
Pareço um rapazinho feliz na noite de Natal. Escapei da cama e vou abrir meus presentes mais cedo, vai ser uma bela surpresa familiar todo o papel rasgado pelo chão.
Não posso pensar em Natal agora. Isso é uma Guerra. Memórias que não tive, mas, nossa!, como quero ter vêm e vão. Pego o rifle. Pego outro rifle. E mais outro. Pego todos e coloco sobre a cama. Eles são pesados, afundam no colchão macio e eu os encaro.
São promessas de salvação, além de armas de combate. Nem todo tiro é dado com rancor e ódio.
Não, hoje eu não vou matar, eu vou salvar.
Do meu quarto posso ouvir a voz daquela vagabunda no andar de baixo e trinco os dentes.
"- Oh, querido, que lindo chapéu! Deixe-me arrumar sua gravata!"
Ela deve estar sorrindo, aposto que está. Fingindo que está feliz com esse homem enquanto desempenha seu belo papel de vagabunda. Isso me distrai tanto, todo esse ódio sufocando, sufocando sufocando. Não posso perder o foco agora. Olho para as armas e é isso.
Ela precisa sair da minha cabeça, mamãe precisa sair. Pego o pó branco, a única coisa que pode tirá-la da minha cabeça agora.
- Querido! Vai se atrasar para a escola!
Não escuto mais nada enquanto cheiro. Sento na cadeira e apoio os pés no móvel, relaxando. Relaxando, relaxando, mas sem perder o foco. Hoje sou um Salvador e preciso cumprir a minha tarefa. Todos os dias, todas as pessoas lidam com suas vidas de merda culpando o mundo, o destino pelos frutos ruins que colhem. São tão mesquinhos. O único culpado são as próprias pessoas. Vou salvá-las de travar essa Guerra com o mundo.
Um rifle descansa no meu colo e eu o acaricio, tão gelado e tão potente. Esse é meu favorito, precisa ser o primeiro a ser usado. Os anjos salvadores sempre usavam suas melhores espadas, vejam Miguel. Miguel tinha sua própria espada de morte, banhada em sangue de todas as almas que ele salvou. Um anjo admirável.
Era muito dificil manejar uma espada e eu não tenho tempo. Preciso ser rápido, antes que o outro time intervenha na minha missão.
Uma mochila velha serve para guardar tudo. Desço as escadas degrau por degrau como um Rei. É o preço de todas as batalhas: não saber se você vai estar de volta ao lar.
Ela está no pé da escada e me olha, com um sorriso falso. Ela é toda falsa, toda. Completamente desprezível.
- Assim você vai se atrasar para a escola, querido. Tem café na mesa.
- Estou sem fome.
- Nem um pedaço de pão?
- Não, obrigada.
Ela me encara e por um segundo, acho que ela sabe. Sabe que vou salvar todas as pessoas e talvez ela seja a inimiga tentando me impedir. Preciso sair daqui.
- Tá, tchau.
- Tenha um bom dia de aula!
- É.
Já estou na calçada e preciso caminhar com calma. Tento conter essa ansiedade dentro do meu peito, meu coração que bate tão furioso de prazer. Por enquanto, permito-me celebrar o que virá. É épico. Transcendental. A Guerra me tornou tão forte e tão estimulado, tão bravo. O casaco folgado é esfarrapado e imundo, tão imundo... Mas falta pouco.
Lá está, a escola. Todos andam em várias direções e falam em tons de voz altos e baixos tentando ocupar mais uma droga de dia em suas vidas. Eu passo despercebido por eles, eu sei passar despercebido.
Imagino coisas.
"- Sua mochila. Abra sua mochila.
- A minha mochila, diretora?
- Agora, rapaz.
POU!"
Rio baixinho para não chamar a atenção do inimigo. A diretora estaria hilária deitada no chão pintada de vermelho. Tudo por ter sido autoritária demais e ter exigido revistar minhas coisas, mas tudo bem, porque ela estaria descansando e não travaria mais uma briga pela sobrevivência.
Eu sou um heroi.
Eu sou o Destinado.
Eu vou salvar todas essas almas errantes.
Uma garota esbarra em mim e seus olhos se demoram no meu rosto.
Ela não pode olhar através da máscara, do esqueleto, do Anjo da Morte. Ela não tem a menor noção de como sua alma é suja e gritante e como está acorrentada a mesmice e ao vômito em que ela é presa. Todos os dias, levantar e ouvir os pais e tentar ser normal e fracassar. Anormal, desgraçada, miserável.
Vamos todos acabar em um imenso buraco de horror e sangue, presos aos nossos erros, sem perdão ou misericórdia. Ele, Ele não liga para nós, nunca ligou, não liga para mim. Poderia ter impedido tudo isso, poderia ter impedido os rifles pesados nas minhas costas, mas não impediu. Ou Ele não se importa ou é o que ele deseja, que eu faça isso, minha missão. Sou um Anjo da Morte em serviço.
Estou no centro do palco, prestes a dar minha fala principal. Pisco diversas vezes por conta das luzes fortes.
Abro o zíper da mochila bem lentamente, o corredor está deserto. É como dar um pause no mundo, enquanto eu preparo meu show. Minha favorita. É você.
Play.
Agora eu sou o heroi dessa história.
Viro em outro corredor.
- Meu Deus, ai meu Deus, O QUE É ISSO?
- ELE TÁ ARMADO!
Tudo bem, está tudo bem.
Acalmem-se. 
Aponto. Miro. POU.
Eles gritam e correm, se espalham pela escola. Não pensei que fosse ser diferente, no final. A tarefa do Anjo da Morte é perseguir, espalhar a mensagem. É, é isso.
Mais gritos. Alguns choram. Outros imploram. Os mais corajosos tentam avisar.
- ELE ESTÁ ARMADO! CORRAM, FUJAM!
Mas é o que eu faço, não, é o que eu preciso fazer.
Passar a mensagem.
É isso.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobre vender pedras, rituais de celebração e a Gertrudes

Estou no ócio. Entendam, acabei de passar de ano, que era tudo que eu queria. Mas, com a aproximação das festividades, todo mundo está muito ocupado com presentes, saídas, família. Eu estou ocupada evitando presentes, desejando saídas e ajudando a família. "Ajudando a família". Estou usando todo o meu tempo livre para continuar uma história frustrada, ler Louco Aos Poucos e tentar terminar de assistir Supernatural. A maioria dessas coisas (exceto o livro), eu faço no computador, então minha família sabe onde me achar: no escritório. Sabem, mas nem tentam. Estou momentaneamente assim:

 Viciada como todo bom adolescente.

 Enquanto fico girando na cadeira do escritório (se vocês nunca tentaram, estão perdendo, isso é um ótimo passatempo), eu penso em como esse ano eu caguei pra escola (e passei todo o sufoco que no post anterior vocês acompanharam). Resolvi fazer uma retrospectiva mental e descobri que eu era muito vagabunda. Meu caderno está praticamente vazio, sem anotações bacanas. Minha apostila de Química tem diversos desenhos de sereias, letras de músicas e coisas como "Faltam só 30 minutos, aguenta firme".


 "O que é Química, Senhor?"

Tudo que eu sei é que, quando visualizei 2013 e meus All Stars velhos tocando novamente o solo da escola, tudo em que pensei foi "Que bosta, eu não quero, eu tô cansada". Engraçado que eu tô cansada em véspera de vestibular, que é quando eu mais preciso estar preparada e disposta. Então, não tô. Essa vida de escola não é pra mim.
Decidi o que quero fazer. Venderei pedras.
Vocês já pensaram em quão brilhante seria vender pedras? Pedras com textos presos nelas. Eu poderia montar minha barraca na calçada da praia, com uma canga psicodélica e deixar lá minhas pedrinhas bem polidas e meus textos. Talvez alguém comprasse, por pena. 
Se eu não vender pedras, não sei o que vou fazer. De verdade.

E quanto aos rituais de final de ano? Todo ano eu viajo no Natal-Ano Novo. É o momento perfeito para isso. Quem sai a compra de presentes sou eu. Quem opina sobre as comidas sou eu. Sou convidada para tudo: arrumar, passar, ajeitar, procurar. Beber que é bom, ninguém me convida (Prevejo mudanças esse ano, uma vez que fui consultada sobre qual seria a melhor cerveja para comprar para a festa). 
Ano passado foi bem básico, o ritual de praxe. Comemos com os vizinhos e perto da meia noite, fomos andando até a praia. Em casa tinham coquetéis e, veja bem, eu queria provar os coquetéis, mas sempre que eu chegava na bancada, estava zerado o estoque. Alguém da terceira idade estava entornando todas ali. A única coisa que deu um up na noite foi meu vizinho me presentear com uma garrafa de vinho toda minha. Vinho e cerveja para mim, apenas. Eu sei que quando deu 00h, eu mergulhei pouco na água. Primeiro que, no ano retrasado, algum devoto maníaco jogou de oferenda para Iemanjá uma placenta de baleia.


Quem está comendo, já era. 

Placentas de baleias são coisas extremamente nojentas, com a consistência de mousse e aparência (pelo menos para mim, de noite e já chapada) de uma porção de sacos de Guanabara juntos. Eu realmente achei que eram sacos de Guanabara até alguém gritar "AQUELE CARA JOGOU UMA PLACENTA!". Não satisfeita, o troço passou na minha frente enquanto eu pulava as sete ondas, eu tropecei e pisei bem no meio. 
Não sei o que leva alguém a jogar uma placenta de baleia como oferenda e não sei porque Iemanjá ficaria contente de receber isso. Mais válido jogar o celular, dinheiro, rosas ou espelhos. De qualquer forma, depois de pisar em uma placenta, o mínimo que eu podia esperar de 2011 era que fosse um ano radical e sortudo, no mínimo né.
Mas retomando às razões para eu ter entrado precariamente no mar, primeiro, a placenta, depois, muitos celulares foram afanados na praia e eu estava louca nos sms com um rapaz. 
Terceiro, eu não estava sóbria o suficiente para nadar e acho que nenhum dos meus familiares. Meu maior medo era ser mordida por tubarões de noite. Ou bater com a cabeça em algo de vidro. Ou me afogar em uma placenta de baleia. Tudo era possível. 
Como fiquei apenas parcialmente molhada e pisei, sentei, caí na areia, voltei para casa com esse material da natureza enriquecendo todos os orifícios do meu corpo. Terminei a noite comendo doces e vendo algo imbecil na televisão. Espero que o ritual de celebração desse ano seja diferente, mais radical.

Não sei se vocês tem a mania de dar nomes às coisas aos quais são muito apegados, mas uma das melhores coisas que aconteceu no meu 2012 foi ganhar a Gertrudes. Acho esse nome especial, um nome para pessoas talentosas e de múltiplas funções. Gertrudes, bem como o nome anuncia, é uma impressora extremamente hábil. Ela escaneia, faz xerox, imprime, digitaliza, tem umas tretas de USB direto e está conectada com todos os laptops da casa. Meu carinho por essa belezura só aumenta pelo fato de ela ser grande como um monstro medieval, porém tecnológica. Não me sinto intimidada em falar para minhas visitas (sejam íntimas ou não) que estou esperando a Gertrudes funcionar, enquanto acaricio a tampa de prata e falo com carinho. Não sei porque estou falando da minha impressora aqui. Acho que é o cúmulo do tédio. 
Vou guardar um restinho para amanhã. Boa noite!

Sobre aprovação, errar o nome do santo e sacos de cravo

Eu disse até o dia 22, mas cá estou eu de novo. Esse blog é irresistível às vezes! Além disso, estou em uma adrenalina tão intensa que eu poderia sair correndo de casa nesse exato momento e pular de para-quedas.
Hoje saíram os boletins lá na minha escola, galera. Claro que os boletins de quem ficou de prova final. Como o conceito varia de escola pra escola, foi explicar como é na minha. Você tem suas matérias e sua obrigação é fazer média 7 em tudo no final do ano. Se você for uma incompetente como eu e não conseguir, você faz uma prova final das matérias que você não conseguiu para tentar chegar sua média até 7. Caso você não consiga essa pontuação, acontece a recuperação e se ainda assim não rolar, repete de ano. 
Todo ano eu fico de prova final. Primeiro, não sou tão estudiosa quanto pareço. Segundo, eu durmo nas aulas, selecionando as que eu quero dormir e as que eu posso dormir. Terceiro, existe Matemática. A partir dessa criação do tinhoso, a prova final tem uma vaga só para mim ano após ano. Acontece que minha presença nas finais geralmente roda em torno de três provas no máximo. E a última vez em que eu fiquei em três provas foi na sétima série!
Ano passado eu fiquei em Física e em Matemática (como era de se esperar) precisando de décimos em cada uma. 
Eis que esse ano, algo inusitado acontece. 
Eu fiquei em sete matérias.
Sim.
Sete.
Querendo levar a vida louca, sair todo final de semana, estar em vários lugares, conhecer pessoas e estudar que é bom NADA, eu consegui de prêmio estar em sete provas finais. E em duas delas, precisando de, no mínimo, cinco. Nesse dia, eu olhei no espelho e disse: "Caralho, eu tô muito fodida". 
Foi tipo assim:


 "Eu tô muito fodida!"



Eu rezei pra todos os santos. Fiz uma lista de santos e comecei a rezar, desesperada. Estudei como uma condenada. E não chorei. Só duas vezes... Ninguém é de ferro. Mas não me descabelei.
O meu problema foi com Física. Eu odeio Física. Odeio mais que Matemática. Eu precisava mais em Matemática do que em Física e essa maldita matéria me deixou analmente apertada. Sério, eu estava com muito medo. 
Eu saí da prova de Física desesperada. Eu sabia que a recuperação era certa. Minha mãe disse: "Se você ficar em recuperação, eu vou te bater!" Na mesma hora, eu virei a bunda pra ela e falei: "Então já pode começar".
O pior disso tudo foi que quando minha mãe ficou fazendo pressão psicológica, eu chamei o nome de um dos santos que eu estava rezando tinha UMA SEMANA e minha mãe me olhou assim: "Que que você disse?". Quando eu repeti o nome do santo, ela riu de mim e disse: "O nome não é esse, você inventou isso. Eles não vão te atender!". Eu juro que entrei em desespero. Que espécie de idiota erra o nome do santo? E na hora que mais precisa de um milagre! 
Tentei reparar o erro... 
Basicamente, quando eu soube que o resultado saia hoje, às 9 da manhã, eu dormi como um lixo. Pulei da cama às nove, abri o site da escola e encontro isso aqui!

Não é sonho, eu FUI aprovada em tudo!

Então, eu chorei como uma criança, corri pela casa, avisei a família toda, fui importunar os amigos, o de sempre. Não estava conseguindo acreditar na minha sorte! 
Agora estou oficialmente de férias. Oficialmente livre. Olha que maravilha! 
Mas não, nada está perfeito. Fui pega, presa e obrigada a preencher sachês com cravo, porque "faz as traças ficarem longe dos livros". Devo estar cheirando a cravo até agora. E não saí pra beber, porque minha mãe está inibindo minha comemoração. Ao invés disso, vou fazer social na casa de uma amiga dela.
Olha, só não estou reclamando porque eu tô muito aliviada. Tiraram a bateria das escolas de samba dos meus ombros. Quero só ver ano que vem.
Amanhã deve ter mais, esperem só.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sobre o Fim do Mundo e a Doença da Vaca Louca

Só estou aqui para comprovar que quanto mais indignada eu fico com o mundo, mais fácil torna-se escrever sobre ele. Não que eu deseje acabar como uma escritora gorda, fumante, enclausurada em casa, com dezenove gatos que quebrou a própria TV a marteladas já que "não suporta o regime capitalista", não, minha indignação não é tão voraz assim. Só estou aproveitando a onda que a raiva libera. Tudo gira em torno de hormônios nessa idade em que me encontro.
Bem, foda-se minha vida pessoal, vamos falar do que importa, vamos falar do Fim do Mundo. Começando com letra maiúscula porque já deixou de ser um hipótese e agora virou um evento no meu Facebook para o qual eu e mais aproximadamente cinco bilhões de desafortunados fomos convidados. A história é manjada: os maias, uma civilização antiga, organizaram bonitinho o nosso calendário e, por algum motivo indeterminado, esse calendário parou no dia 21 de dezembro de 2012 que é amanhã. Algum sensacionalista deu o primeiro grito de "Previsão do Fim do Mundo" e hoje é o dia. 
No noticiário, vamos encontrar os malucos que farão de tudo simplesmente por visualizar esse fim trágico para amanhã. Algumas pessoas realmente querem acreditar que o céu vai escurecer totalmente (o que, ok, não é impossível), raios começarão a aniquilar os passantes, trovões desabarão edifícios, uma cratera abrirá no Centro da Cidade e tudo será engolido por um buraco negro bizarro. Sendo hoje o último dia, rola um desespero por parte dessas pessoas e coisas como essa acontecerão:


Essa foto é melhor que a do grupo que resolveu "facilitar" o trabalho divino praticando suicídio grupal.

Em confronto com esses atos da "Temporada de Suicídio Coletivo Aberta, Inscrevam-se!", está o lado das piadas. O grupo que levantou a seguinte questão: Se hoje fosse seu último dia, o que você faria? São, a primeira vista, céticos, mas ao primeiro clarão no céu, podem incitar o caos. Esse grupo pode resultar em tanta merda quanto o primeiro, porém de formas diferentes e talvez mais pacíficas. É o grupo que responde: eu transaria o dia inteiro; eu diria aquela pessoa que a amo; eu roubaria um banco; eu correria nu; eu pediria perdão pelos meus pecados; eu passaria o dia dormindo. 
Nesse meio termo, eu me posiciono no segundo grupo. Eu absolutamente não acredito no fim do mundo. As chuvas picarosas que rolaram semana passada, com trovões e raios e relâmpagos ameaçando destruir o Rio de Janeiro, bem, sobre elas meu único problema foi meu pavor de raios. De resto, foram apenas água. Nenhum sinal divino, nenhum anjo vindo avisar que o prazo da hipoteca expirou. 
Entretanto, não consigo deixar de pensar. Se hoje fosse meu último dia, o que eu faria? Primeiro, como eu não acredito em primeiro dia, eu fiz a mesma droga que todos os dias. (até agora pelo menos). Eu acordei cedo, porque meu corpo não aguenta ficar além das oito da manhã na cama. Saí com minha irmã e minha função nesse passeio foi óbvia.

Burro de carga

Almocei, dormi, li um livro. Nada excepcional. Acho que meu corpo está muito velho para sair na rua dando para as pessoas, assaltando e dançando o Gangnam Style pela última vez. Se o mundo acabar mesmo amanhã, o que eu acho improvável demais, eu terei vivido meu último dia como um belo último dia. Não vou mandar mensagem de texto dizendo "Eu te amo" pra todos os meus amigos a meia noite. Quem sabe, sabe, quem não sabe, deu. E a gente se encontra do outro lado.
Eu espero, honestamente, que amanhã o mundo entre num vortex temporal e a gente acabe de volta na Idade Média. Já pensaram nisso? 
Amanhã vai fazer sol, eu vou acordar, ver os resultados das minhas provas (graças a Deus eu terei conseguido passar) e eu vou ler. (Que desinteressante) Eu sei. Mas são meus planos. Ler sobre o rapaz que tem a Doença da Vaca Louca. Vocês já ouviram falar nisso?
Estou muito no começo do livro, então fica complicado sumarizar a história para vocês, mas estou cativada por ela. Seguinte: tem esse rapaz, o Cameron, e ele é um desajustado social de marca maior. O incrível é que ele não é um desajustado tipo Bella Swan (Crepúsculo), que quer se interar, tenta se interar. O Cameron é um desajustado na escola e em casa e ele está pouco se fodendo pra isso. Ele não só diz, como expressa e deixa claro. Com dezesseis anos, ele é parabenizado pela sociedade com um belo "Ok,  você tem essa doença muito rara de nome extenso e complicadinho, que vamos tratar pela Doença da Vaca Louca, seja feliz, meus pêsames aí, porque você vai morrer". 
Rapidamente o Cameron entra naquele momento: eu odeio vocês porque vocês vão ficar vivos e eu só queria me afogar em muita maconha para conseguir levar essa droga de notícia.
O pior é que a cada segundo o cérebro dele vai ficando mais e mais deficiente. E uma anja entra na história. Eu sei, é meio louco, mas o livro é sensacional (e gordo, gosto de livros gordos). 


Quem tiver oportunidade ou desejar, confiram esse livro, não vão se arrepender. Vou mostrar dois trechinhos que eu curti bastante.

"Depois de implorar um pouco à minha mãe, ela concorda que eu pegue o Turdmobile, seu carro quadrado com cor de cocô. É feio, mas anda, e, quando estamos atrasados, é melhor que ônibus. Por todo o quarteirão, as gramas ganham vida com homens montados em cortadores de grama dirigíveis. Eles galopam pelos seus jardins, aprumando-os, estão no comando daqueles poucos metros quadrados de terra. Todos saudando o heroi de ação suburbano! Não mexa com esses homens - eles têm cortadores de grama e sabem usá-lo! Tipo, sério, as pessoas esperam que eu tenha boas notas, entre numa boa faculdade, não faça nenhuma besteira, para depois acabar assim também algum dia? Valeu, eu passo."


"Quer saber o que funciona? Negação. Como método para lidar com as dificuldades a negação é gravemente subestimada. Ei, talvez tenha sido um engano e eu só esteja com uma gripe irada. Médicos cometem erros o tempo todo. Psicólogos, então... Brincadeira. 
Durante muito tempo achei que seria legal morrer jovem. Sério, as coisas não estavam indo tão bem no departamento Vida. A morte me parecia infinitamente mais glamourosa e, sabe como é... meio difícil de errar a mão. Confesso que grande parte da fantasia tinha a ver com ficar observando todas aquelas garotas que algum dia me desprezaram se atirando no meu caixão, chorando a minha morte precoce e confessando que sempre me desejaram e lamentando não terem tido uma oportunidade de reivindicar minha virgindade quando eu estava vivo. 
O problema é que eu não estarei na área para desfrutar disso tudo. Estarei me transformando numa cabeça esponjosa. É nesse tipo de coisa que eu fico pensando com os poucos neurônios que me restam. Claro que meus pais se convenceram de que o diagnóstico está errado. E eu quero acreditar neles. Assim como quero acreditar que no fundo Staci Johnson me deseja e me hostiliza constantemente apenas para disfarçar seus impulsos libidinosos.
Como eu disse, negação. Agora atendemos 24 horas, 7 dias por semana."

Vou tentar terminar esse livro antes que a cratera se abra no Centro da Cidade. O Inferno para mim, certamente seria baseado em livros custando cem reais cada um, então espero que se eu for pra lá, me deixem levar minha coleção de vida. Até dia 22, galera.